Quando o doce deixa de depender apenas do açúcar

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Por Gisele Bannwart, Diretora de Inovação para Clientes no Brasil

Estima-se que o consumo médio de açúcar pelo brasileiro em 2025 foi de 80 kg, o que equivale a 18 colheres de chá por dia. Esse número, 33% acima da recomendação máxima diária de consumo da Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 12 colheres de chá por dia, abre cada vez mais o espaço para a discussão sobre o futuro do adoçamento nas formulações de alimentos e bebidas, em um contexto em que as doenças crônicas como obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e câncer seguem sendo preocupações de saúde pública diretamente relacionadas ao consumo excessivo de açúcar e alimentos açucarados.

O consumidor continua valorizando e buscando o gosto doce, não necessariamente apenas na forma do açúcar. Este movimento vai além da troca de ingredientes; à medida em que o açúcar deixou de ser a única referência de dulçor, o desenvolvimento de ingredientes passou a considerar como o gosto doce é percebido e integrado à experiência sensorial como um todo, com foco em equilíbrio, naturalidade e consistência ao longo da experiência de consumo.

Esse reposicionamento do dulçor se traduz, na prática, em novas estratégias de formulação. Ao invés de buscar apenas substituir o açúcar ou replicar sua intensidade, a indústria de ingredientes passou a trabalhar na reconstrução da percepção do doce e no perfil global de sabor. Isso envolve ajustar como o sabor se manifesta no início, como evolui durante o consumo e como permanece no paladar, evitando efeitos que comprometam a experiência total, como amargor residual, artificialidade ou persistência excessiva após a deglutição.

À medida que cresce a busca por ingredientes de origem natural e rótulos mais simples, a stevia ganha ainda mais relevância. Seus avanços tecnológicos e a evolução dos glicosídeos de esteviol de última geração permitem que a stevia, mesmo utilizada de forma isolada, ofereça um perfil sensorial cada vez mais limpo, doce e equilibrado, adequado para diversas aplicações. Essa abordagem possibilita reduzir ou eliminar o açúcar mantendo a entrega do gosto doce, ao mesmo tempo em que atende à demanda por rótulos mais simples e ingredientes reconhecidos pelo consumidor.

A relevância desse caminho é confirmada por um estudo global proprietário da Ingredion, conduzido em diferentes mercados estratégicos. No Brasil, os dados mostram que o equilíbrio do sabor é o atributo mais valorizado em produtos adoçados, enquanto perfis excessivamente persistentes ou artificiais tendem a ser menos aceitos. Mais do que antecipar tendências, esse movimento reflete uma mudança estrutural no comportamento do consumidor, que precisa ser atendido ao se desenvolver ou reformular produtos.

Para além do sabor, soluções ótimas para redução de açúcar são aquelas que combinam desempenho sensorial, melhor custo em uso, eficiência tecnológica e sustentabilidade, permitindo atender diferentes perfis de consumidores e categorias de produtos. Neste cenário, nosso centro de inovação (Idea Labs®), localizado em Mogi-Guaçu-SP, conta com expertise técnica, ampla gama de equipamentos e uma equipe altamente capacitada para entregar produtos com menos açúcar, sem comprometer o sabor, e entregando textura e experiência, condição essencial para atender as expectativas do consumidor atual e a evolução da indústria de alimentos, bebidas e suplementos.

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